Tangências

16:58

Não me encontro, por isso faço de conta até à indiferença com vodka e haxixe, a roçar um vazio avassalador.
Mas continuo eu. É complicado, mas eu continuo lá, num vértice recôndito, continuo cá.

Se calhar não sei nada, ou se calhar sei demais; provávelmente estão cá as peças todas e eu é que não as quero juntar, para ter um problema em mãos que me ocupe. Porque estar aqui sem mudar nada não é viver, estar aqui sem oferecer não tem valor.

"Isso é errado", "isso não se faz", "isso é feio". Mas quem dita o que é "feio"? A noção de moral é imperfeita, como vamos nós ser melhores que um conceito deficiente? - intromete-se a sem alma. Para mim está bem disparatar, arriscar, trair e exprimentar; faz parte da minha essência testar e analisar situações. Podem dizer-me que é má ideia que eu vou lá ver se é verdade, podes dar-me a conversa que quiseres que eu vou parecer absorvida e a deixar-me levar, quando na verdade estou ciente e pareço fascinada porque te estou a estudar.
Não há pessoas boas e pessoas más. Há pessoas: umas mais estúpidas que outras, umas menos úteis e mais inconscientes.

Mas elas têm dificuldade em coexistir; uma não tem alma e a outra quer respostas mas nem sabe quais são as perguntas. Não sei qual é que está a mais e isso preocupa-me, mas continuo eu. A que não tem alma com coragem para fazer o que quem não conhece as perguntas teme.

E não sou melhor, não tenho nada a mais nem vou mudar o mundo. Afinal, porque posso eu pensar que os meus disparates são mais nobres que os teus?
E se cair embrenhada nisto, se não me puder salvar, ao menos aprendi o suficiente para impedir que alguém tropece no mesmo sítio em que o meu pé ficou preso, e caio feliz por saber que falhei, insisti em coisas sem nexo, traí e agi sem noção para me encontrar, mas nunca por coisa nenhuma.

E em paralelo a isto tudo, o exame de Geometria é daqui a um mês.

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